A cabanagem teve seu início por volta do ano de 1825, sucedendo o Levante dos Tapuias e tendo seu ápice ocorrido em 07 de janeiro de 1835, com a reconquista do sonho da retomada da Província do Grão Pará, sendo novamente proclamada a República da Província do Grão Pará.
Em 31 de dezembro de 1834, fugindo das ameaças de prisão, e estando nas cercanias da vila de Barcarena, morre o Cônego Batista Campo, vítima de um corte acidental de uma espinha quando fazia sua barba. Com a morte do padre, os ânimos dos cabanos se exaltaram, mesmo tendo governador Lobo de Souza, prendendo dias antes, o chefe da armada da cabanagem Ten-Cel Félix Clemente Malcher.
Com os ânimos acirrados, os irmãos Francisco Pedro, Antonio Vinagre, Eduardo Francisco Nogueira (Angelim) e outros, deram início à revolta e a tomada do poder; libertando logo a seguir, o grande chefe Ten-Cel Félix Clemente Malcher, que se encontrava preso no Arsenal (trem), quartel da época.
E em 07 de janeiro de 1835, efetiva-se a vitória do Movimento da Cabanagem, Félix Clemente Malcher, nascido em Monte Alegre, 1782/1835, filho de Antonio José Malcher e Anastácia Josefa de Souza, casado com Rosa Maria Henrique de Lima; assume a Presidência da Província do Grão-Pará, em 07 de janeiro de l.835.
Félix Clemente Malcher, foi porta-bandeira de milícias, em 13 de setembro 1823, foi promovido alferes, depois tenente, capitão e finalmente, tenente-coronel.
No discurso de posse e na qualidade de 1° Presidente do Movimento da Cabanagem, o Ten-Cel Félix Clemente Malcher, declarou que: meu governo será sempre de solidariedadeao império brasileiro. Negando-se a dizer: fidelidade. Este pronunciamento, irritou profundamente a Regência brasileira que chegou a imaginar receber de Clemente Malcher, a reverência total ao Império.
Diante do afastamento definitivo do Brasil, a Regência passou a arquitetar uma nova aliança com Portugal e convida os embaixadores da Inglaterra e da França, a participarem de uma luta armada contra a Província do Grão Pará. A França se nega a compartilha da invasão ao novo país amigo da sua Guiana Francesa, segundo documentos confidenciais da Marinha Real Inglesa.
Três foram os presidentes que o Movimento da Cabanagem proclamou:: 1° Presidente foi o Ten-Cel Félix Clemente Malcher; o 2º, Pedro Vinagre e o 3º, Eduardo Francisco Nogueira (Angelim).
Documentos Secretos
O interesse pelo domínio da Amazônia se agravou a partir de meados do século XIX, quando da conquista libertadora pelo levante dos tapuias. E que foi apelidada pelos portugueses e brasileiros, como a pátria dos tapuias. Exatamente porque a luta foi formada pelos liberais da época com o grande apoio dos ribeirinhos, índios e negros que não mas suportavam as explorações e as injustiças sociais, praticadas pelos portugueses.
Com as expulsões e morte de alguns estrangeiros, a nova pátria continuava a se chamar de a Província do Grão Pará, e livres do julgo dos portugueses e dos brasileiros O acontecimento se espalhou pelo mundo afora. O império brasileiro, sabedor das grandes riquezas minerais e extrativistas, onde passou a conspirar em nome da coroa portuguesa, sobre a retomada da Capitania.
àquela altura dos acontecimentos, o então império brasileiro estava sendo governado por uma Regência Provisória, visto que o príncipe D. Pedro II, ainda de menor idade. E o pai, D. Pedro I, havia abdicado o império brasileiro e retornado à Portugal, para assumir a Coroa portuguesa.
As decisões da época, assinalam, que a governabilidade do império estava sob a responsabilidade do regente e senador Diogo Antônio Feijó, como sita a correspondência do embaixador inglesa no Rio de Janeiro, enviada ao ministro de Relações Exteriores, Lord Palmerston, e que posteriormente, se tornara primeiro ministro da Inglaterra. Os documentos enviados a ele, sempre estavam com o sinete de Confidencial. Nos dias de hoje, esses documentos secretos se encontram no Foreign Office, órgão militar responsável da Marinha Real Inglesa, arquivados no Public Record Office – PRO, no bairro de Kew, no oeste de Londres.
MRE128 Caixa 20 F566-570
De: Henry Stephen Fox, Ministro de Sua Majestade Britânica no Rio de Janeiro
Para: Lorde Palmerston
Data: Rio de Janeiro, 17 de dezembro de 1835 - Despacho no 61.
Documento Secreto e Confidencial
Excelência,
Há alguns dias, eu e Monsieur Pontois, Ministro Francês na Corte do Brasil, fomos convidados pelo Regente Feijó para uma conferência particular, quando Sua Excelência nos fez a seguinte comunicação confidencial: Ele disse que o Governo Brasileiro estima que possa reunir no Pará, por volta do mês de abril próximo, uma força de 3.000 homens, compreendendo 2.000 soldados regulares; que ele calcula que essa força seja suficiente para retomar a cidade do Pará e vizinhanças; mas que, não obstante, para tomar o êxito mais seguro e para privar os rebeldes de qualquer esperança de resistência, ele deseja que a Inglaterra, a França e Portugal façam reunir no Pará, aproximadamente no mesmo período, e como se fosse por acaso, uma esquadra de navios de guerra, transportando uma tropa de cerca de
1000 soldados regulares, aptos para serviço em terra, quer dizer, cerca de 300 a 400 de cada nação. Ele propõe que esta força deveria ficar de prontidão para cooperar com as tropas brasileiras, a pedido e à discrição das autoridades civis e militares brasileiras no comando e que seriam mais particularmente empregadas na ocupação temporária dos postos do Marajó, Cametá e outros lugares nos arredores da cidade do Pará; tal cooperação, ele julga, seria suficientemente justificada, ao que parece, pelo interesse geral da humanidade e civilização, como também pêlos motivos particulares de proteger nossos respectivos conterrâneos e de colocá-los novamente de posse de suas residências e propriedades sem que fosse de conhecimento público que as medidas foram usadas a pedido do Governo Brasileiro. Monsier Pontois e eu concordamos imediatamente e declaramos ao Regente que estávamos prontos para transmitir seu comunicado a nossos respectivos governos, mas que não esperávamos que qualquer resultado sucedesse a não ser que o comunicado fosse feito por escrito
(o que poderia ser feito de maneira igualmente confidencial) para que pudéssemos informar nossos Governos exatamente sobre a extensão da cooperação que Sua Excelência desejava obter, seus limites e objetivos expressos; e, ainda, para justificar essa cooperação, caso se concretizasse e fosse contestada por qualquer parte no Brasil. O Regente nos respondeu que, como a Constituição do Império proibia taxativamente a admissão de tropas estrangeiras no território brasileiro sem o consentimento da Assembléia Geral (o que não poderia ser obtido agora em tempo hábil), ele estava impossibilitado de colocar sua proposta por escrito e que, além disso, seria desonroso para o Governo tornar oficialmente conhecido que eram incapazes, sem ajuda estrangeira, de dominar um punhado de rebeldes desgraçados e que, portanto, ele somente poderia solicitar que comunicássemos aos nossos Governos o que ocorreu nessa entrevista, como o assunto de uma conversa confidencial com o Regente, deixando ao encargo dos nossos Governos, enviar aos comandantes de suas respectivas forças navais aquelas instruções que achassem convenientes sobre o posto em questão. O acima exposto é o conteúdo da conversa com o Regente, do qual eu e M. Pontois concordamos em fazer um sumário depois que se concluísse a entrevista. O mínimo que posso fazer é claro, é transmitir o comunicado a Vossa Excelência, mas não creio que haja amenor probabilidade de o Governo de Sua Majestade ou de o Governo Francês aquiescerem aos desejos do Regente, ou consentirem em comandar uma operação militar com base em um pedido tão informal e vagamente feito. A proposta do Regente é, como ele mesmo admitiu, uma violação direta das leis e da Constituição do país e seria, é claro, imediatamente rejeitada, e a culpa da intervenção não autorizada atribuída aos poderes estrangeiros se achasse conveniente fazê-lo. Devo observar, também, que não creio que haja a menor probabilidade de que o Governo Brasileiro consiga, agora ou no futuro, reunir diante do Pará uma força regular tão grande como a que o Regente propunha contar. O Ministro Português não foi convidado pelo Regente para a mesma conferência comigo e com o Ministro Francês, porém, quero crer que uma comunicação semelhante já lhe tenha sido feita, ou está prestes a sê-lo, em separado. Empregar no Paráos ingleses ou franceses, junto com uma força portuguesa, tornaria ainda mais questionável esse procedimento, considerando a peculiar ciumeira da influência e dos propósitos que Portugal ainda nutre por este país. Arrisco-me a sugerir, sem prejudicar o Regente Feijó, cuja conversa comigo e com M. Pontois foi particular e confidencial, que seria prudente não mencionar esse assunto ao Marquês de Barbacena, que provavelmente estará em contato com Vossa Excelência sobre outras questões.
Tenho a honra de ser, etc.
Outro documento da época, também considerado como importante nos relatórios dos anais da Marinha Real Inglesa, é o depoimento do segundopresidente da Província do Grão Pará Francisco Pedro Vinagre:
MRE 128 Caixa 24 F131-2
Declaro eu Francisco Pedro Vinagre abaixo assinado que a revolução de 7 de janeiro de 1835 foi promovida por João Miguel de Souza Aranha, seu primo bastardo João Pedro Gonçalves Campos, meu irmão António Vinagre, e Felix António Clemente Malcher que se achava preso na Fortaleza da Barra. Que as reuniões se fariam no engenho do dito João Pedro, na Ilhas das Onças defronte da cidade. Que o dito Aranha foi quatro dias antes do rompimento, ao Engenho de João Pedro / onde eu me achava por ter ido ali passar quatro dias / comunicar-lhe que, juntasse alguma gente, porque na cidade estava tudo pronto; que a tropa estava já disposta por ele Aranha, pelo soldado Portilho; e o Corpo de Permanentes, pelo cabo do mesmo corpo Lourenço António Gomes. Que o mencionado Aranha foi o autor do horroroso plano, dos assassinos que se puseram em pratica naquele dia; cujo plano foi escolhido de entre três por ele oferecidos. Que não se combinando naquela ocasião por não estar ainda a gente pronta, por ter amanhecido se retirou o dito Aranha para a cidade em uma montaria; que na seguinte noite voltou o mesmo Aranha ao mencionado engenho de João Pedro, tendo tudo pronto, sentirão em que na segunda noite iriam para a cidade apesar de que só tinham 40 homens; ao que dizia o referido Aranha, que havia muita gente para cercar as casas e logo que algum saísse delas, seriam mortos como pacas. Que de fato na seguinte noite apareceu o dito Aranha com uma igarité grande guarnecida de gente da Vigia, e nela embarcou o mencionado João Pedro, com meu irmão António Vinagre, e 40 homens moradores da mesma Ilha das Onças, e 4 que tinha vindo do Acará com meu irmão, sendo dez horas partiram do referido engenho para a cidade e foram desembarcar no cacoalzinho, e de Ia passaram para casa do referido Aranha, aonde haviam feito o deposito das munições de guerra. Que durante as conferências no engenho, era Malcher instruído de tudo na sua prisão, e dela se correspondia com os conjurados, e eu não cessava de solicitar a meu irmão para que se não metesse em semelhante coisa; lançando-me até a seus pés, porém infrutuosamente porque ele era inflexível quando sentava de fazer alguma coisa. Que as três horas da madrugada do dia 7 de janeiro deram o assalto à cidade tendo o mencionado Aranha de acordo com os [major?] digo com os mais conjurados dado ordem a Tropa para que matassem os oficiais que acudissem aos quartéis, com especialidade o Presidente Lobo, Comandante das Armas Santiago, e o Comandante da Corveta Defensora, Ingliz. Que o referido Aranha é que arrombou em Palácio as gavetas onde o Presidente tinha o seu precioso, e o roubou; que o dinheiro era em dobrões de ouro, e bem assim um conto de reis que o Presidente tinha em casa de sua amásia foi pelo mesmo Aranha roubado; e que parte deste dinheiro havia o Presidente mandado vir ao Banco do Rio de Janeiro. Que me achando eu no mencionado Engenho de João Pedro na Ilha das Onças no mesmo dia 7 de janeiro me foram lá buscar, e conduziram para a cidade pela uma hora da tarde, e me aclamaram Governador das Armas, tudo por influências do meu irmão António Pedro Vinagre; porém recusando aceitar o posto me ameaçaram com a morte. Que nessa ocasião salvei a vida ao Cap. Manoel de Souza Trovão, Conselheiro do Governo, ao Tenente Oliveira e a um Bento de tal, que o povo queria matar, e os mandei para bordo a fim de poderem escapar. Igualmente dei ocasião a José Batista Camecran, António Campos e Honório José dos Santos a que se evadissem do furor do dito Aranha, que com ânsia os buscava para serem mortos, e lhes mandou cercar suas casas para esse fim. Que o Celerato Lourenço António Gomes foi morto na contenda havida entre mim e Malcher no mês de fevereiro. Que o sapateiro da cidade chamado Domingos, curiboca, ou mulato, foi que matou o Comandante Ingliz, confessando por ele mesmo, assim que foi o Soldado de Artilharia Maximiano Gomes quem matou o Major Barreto no dia 12 de maio, cujo soldado teve baixa. Também sei por me ter dito meu irmão António que o Eduardo, Ceará, foi que no Acará matou a José Maria Nabuco de Araújo com um tiro de pistola.
Bordo da Fragata Campista, 16 de fevereiro de 1836, Francisco Pedro Vinagre.
Declaração supra foi feita na presença de seu Chefe, John Taylor, que por esse fim foi chamado pelo mesmo Vinagre e eu a escrevi por mandado do mesmo Sr., e como testemunha que tudo presenciei me assino. Inácio Porfírio da Costa Como testemunha, Francisco Xavier de Moraes.
Para Antonio Vinagre, irmão do presidente Francisco Vinagre, perempetoriamente descordou da proposta indecorosa e covarde que o irmão havia feito ao Comd. Taylor. Antonio Vinagre e os demais companheiros de lutas, além de não terem sidos ouvidos, discordaram do acordo de pedidos de anestias e da entrega de Clemente Malcher. Os pedidos foram aceitos pelo comandante mercenário John Taylor, que aquela altura dos acontecimentos, representava o grande comandante General Soares. Oex-presiente Clemente Malcher, se encontrava como exilado a bordo de navio Belo Maria, o qual foi entregue aos homens de Vinagre.
Consta ainda nos relatos de bordo que, os oficiais sabiam que Clemente Malcher era o grande estrategista do movimento e que a proposta do novo presidente do Grão Pará, na verdade, poderia ser a capitulação definitiva do movimento. E foi exatamente o que ocorreu. Francisco Pedro Vinagre, determinou o fuzilamento do companheiro e seu ex-chefe, e que certamente, estava em conluio com o mercenário ingles.
Os relatos comprovam que Malcher foi realmente, o grande chefe do Movimento da Cabanagem. Assumiu a Presidência da Província do Grão-Pará, em 07 de janeiro de 1835, sob aplausos do povo e de seus companheiros de lutas. De presidente, passou a prisioneiro do próprio movimento que tanto ajudara a construir. Em 26 de fevereiro daquele ano, Malcher foi entregue pelo comandante da escuna Bela Maria, aos integrantes do grupo de Francisco Pedro Vinagre, os quais já tinham a ordem expressa para matá-los no trajeto da canoa para a prisão do arsenal (trem), onde deveria ficar sob as ordens do segundo Presidente empossado. Provocar Malcher na viagem, seria o álibi para o fuzilamento. E assim, foi o assassinato do ex-grande líder do Movimento da Cabanagem, com um tiro no peito.
O Ten-Cel Félix Antonio Clemente Malcher, acabou seus dias de vida, com o corpo arrastado pelas ruas de Belém e pelas mãos de seus ex-companheiros e subalterno.
A posição tomada arbitrariamente pelo segundo Presidente da Província, revolta o seu próprio irmão Antonio Vinagre e os companheiros Eduardo Angelim, Lavor e outros, que insatisfeitos com a atitude isolada de Pedro Vinagre, passam a viver na clandestinidade e voltam a se aquartelar na região do Acará, nas terras de Clemente Malcher, que em anos atrás, havia transformado seu sítio, em campo de treinamento de guerrilhas.
No ano seguinte, Antonio Vinagre e Eduardo Angelim, reagrupam os companheiros e voltam à luta armada. Só que desta feita, foram obrigados a enfrentar as forças reunificadas dos brasileiros, portugueses e dos mercenários ingleses, que estavam aquela altura, sob o comando de John Taylor e do grande Marechal Francisco de Souza Soares D´Andréa, esse último, o temível português de lutas fratricidas, que inclusive, logo havia sido derrotado no seu primeiros combate com os cabanos, o que levou a se aquartelar na vila de Cametá, onde chegou a instituir a nova capital da Província do Grão Pará.
Num dos embates das cercanias da cidade de Belém, morre Antônio Vinagre e em seguida, Eduardo Francisco Nogueira, o Angelim, dos companheiros de lutas, que com apenas 21 anos de idade, assume o comando do movimento. Vencida as batalhas, Angelim assume a Presidência da Província do Grão-Pará, tornando-se o 3º Presidente do Movimento da Cabanagem.
Angelim nascera na freguesia de Aracate, Província do Ceará, em 06 de julho de 1814. Filho de Pedro João Nogueira e Maria José de Jesus. Em 13 de maio de 1836, Eduardo Angelim é preso e o movimento torna-se praticamente sem líder. O Marechal Francisco de Souza Soares D’Andréa, assume o governo provisório, juntamente com o mercenário inglês John Taylor. Em o8 de abril de 1839, D'Andréa nomeia governador da Província do Grão Pará, Bernardo de Souza Franco. Em 22 de fevereiro de 1840, assume o governo da conturbada Província do Grão Pará, João Antônio de Miranda.
Eduardo Angelim chegou ainda jovem em Belém, aos 13 anos, aprendeu a ler e a escrever com o professor Felipe Nery Pereira de Assis. Segundo seu mestre, era vivaz, altivo e insinuante. Não se tornara um político, nem aventureiro ou prepotente, mas uma legenda de civismo e de probidade. Uma lição às gerações de moços que pretendem a vida pública com atividade política. Angelim foi o apelido que recebera carinhosamente dos companheiros por ser considerado duro e firme como a árvore do mesmo nome.
Após a prisão, Eduardo Angelim foi deportado para a cidade do Rio de Janeiro e posteriormente para Ilha de Fernando de Noronha, onde cumpriu longa pena na prisão. Mesmo sem lideranças, o Movimento da Cabanagem ainda perdurou vivo por muitos anos pelos interiores da Amazônia, e que segundo consta, cerca de aproximadamente, 40.000 pessoas tombaram nos confrontos que foram de 1817 a 1840.
Cumprida a pena de prisão, Angelim retornou à vila do Acará para terminar seus dias em companhia de sua única filha, Maria Clara. Segundo historiadores, a filha chegou a se formar como professora normalista e foi quem escreveu as memórias do pai. Consta ainda, que Angelim antes de morrer, voltou a Belém para tratamento de uma enfermidade e que recebeu assistência médica do governo vigente. Mas que ao sair do hospital, fez um agradecimento pelo jornal o"Diário de Belém". Nesta nota, o ex-presidente da Província do Grão Pará, agradecia ao Dr. José da Gama Malcher, 1º Vice-Presidente do Pará, no exercício da Presidência, a prontidão com que ocorreu ao seu leito de dor, para lhe aplicar os recursos da medicina. Disse Angelim: foi tão generoso, humano e delicado comigo, que me sinto esmagado pela sua bondade.
A história não relata com transparências os acontecimentos ocorridos pelo Movimento da Cabanagem, especialmente na vila de Monte Alegre, terra natal de Félix Clemente Malcher.Por muitos anos, Angelim foi ordenança de Félix Clemente Malcher, e por isso, era sabedor de que o Dr. José da Gama Malcher, era filho do então também Ten-Cel Antonio Clemente Malcher, chefe da guarda da Vila de Monte Alegre e irmão mais velho de Félix Clemente Malcher, e que também, tombou em defesa do movimento Cabano.
José da Gama Malcher, na época das lutas sangrentas, era o garoto e sobrinho afetivo do grande líder da cabanagem, que por sua vez, assistiu na Praça da Vila de Monte Alegre, a morte do pai e sendo esquartejado tal qual o tio em Belém, e em Praça pública, pelos brasileiros e portugueses que combatiam o movimento pelo interior da Amazônia. José da Gama Malcher era sabedor da conspiração que fora premeditado contra o tio. E eis o porquê de Angelim ter se sentido esmagado pela sua bondade.
Com o fim da cabanagem, a Amazônia foi definitivamente incorporada ao Brasil e sem direito ao resgate de seu passado histórico, de sua língua mãe e de seus verdadeiros costumes. E desde então, a Amazônia têm sido a colônia e o almoxarifado dos brasileiros e dos grupos internacionais.
Após a reconquista da Hiléia Amazônica, assume o governo da Província do Grão Pará, o então comandante-chefe da batalha, o português Marechal Francisco José Souza Soares D'Andréa, que logo em seguida, nomeia João Antônio de Miranda, para governar a Província do Grão Pará. Dando por fim, à batalha contra os cabanos que se consideravam livre dos jugos dos brasileiros e portugueses.
Os navios de guerra da Marinha Real Inglesa que participaram ativamente do combate contra a cabanagem, sob o comando do mercenário e corsário inglês John Taylor:
Dispatch, de 09 de março de 1835 até 15 de junho
Racehorse, de 28 de maio de 1835 até 15 de dezembro
Belvidera, de 07 de março a 08 de abril de 1836
Snake, de 07 de março a 13 de julho de 1836
Savage, de 07 de março a 08 de abril de 1836
Rainbow, de 07 de março a 08 de abril de 1836
Mesmo escrevendo uma lacônica nota, como também um tanto distorcido, o Almanaque Abril de 2.000, transcreveu um pouco da história da cabanagem. Um pouco desvirtuada, mas valeu: “Cabanagem – Ocorreu no Pará entre 1835 a 1840. De caráter fortemente popular, envolve, sobretudo os moradores pobres das cidades e vilarejos ribeirinhos: cabanos, índios, negros e mestiços. A revolta irrompe em Belém, em 7 de janeiro de 1835, com o assassinato das duas principais autoridades provinciais, o presidente e o comandante das armas. Os chefes cabanos formam um governo revolucionário, liderado pelo fazendeiro Clemente Malcher, e anunciam a autonomia da província em relação à Regência até a maior idade de D. Pedro II”.
Divergências internas, porém, provocam conflitos entre os próprios cabanos. Malcher é substituído por um líder popular, Francisco Vinagre. Em julho, tropas imperiais do Rio de Janeiro sob as ordens de Manoel Jorge Rodrigues, com o apoio de mercenários ingleses comandados por John Taylor, entram em Belém e expulsam os rebeldes.
Governo popular - Em violenta reação, os cabanos retomam a capital em agosto e forma um novo governo, de caráter ainda mais radical e popular, liderado por Eduardo Angelim. Proclamam a independência do Pará, instituem a república e expropriam armazéns e depósitos de alimentos para distribuir comida à população pobre. A partir de maio de 1.836, a repressão oficial ganha força e o governo rebelde são destituídos. Liderado por Antonio Vinagre, irmão de Francisco, que consegue escapar da repressão, os revoltosos dispersam-se no interior da província.
Mobilizando as populações ribeirinhas do rio Amazonas e do baixo Tocantins, os cabanos mantêm sua rebelião até 1840. Nos últimos cinco anos da revolta, estimam que cerca de 30.000 pessoas tenham sido mortas, na sua grande maioria, homens.“Causas da revolta - Como todas as revoltas desse período, a cabanagem é uma insurreição provincial contra o governo central do império, enfraquecido pela crise da Regência. Mas a revolta apresenta características particulares. O Pará havia sido uma das províncias brasileira mais envolvida na luta pela independência, entre 1.821 e 1.823, o que fortaleceu em suas elites o espírito autonomista. Além disso, durante a colonização, o estado teve relações comerciais mais constantes com Lisboa do que com o Rio de Janeiro. Com a independência do país e a separação da antiga metrópole, a situação econômica da província se complica. Os grandes proprietários e comerciantes, muitos deles portugueses, queixam-se do excesso de impostos, da falta de incentivos às exportações e do alto preço dos escravos. Por isso inicialmente aprovam a revolta dos cabanos. A população pobre, no entanto, é mais duramente atingida pelo agravamento das dificuldades econômicas. São suas necessidades e aspirações que Sustentam a luta quando as elites retiram seu apoio, no momento em que lideranças populares assumem o controle do movimento.
Em 13 de maio de 1838, foi publicada a Lei de n. 10, em que determinava que fosse proferido na própria Assembléia Legislativa Provincial um discurso de parabenização ao Exmo. Senhor Marechal Francisco José de Souza Soares D’Andréa, presidente e comandante das armas da Província pela sua entrada gloriosa na capital, no dia 13 de maio de 1838, quando derrotou os rebeldes emigrados, dispersos e fugitivos, restabelecendo a paz e a tranqüilidade em toda a Província.
Fonte: CLPGP, Tomo I, Fl.59, V. 1839 45.
E assim, se revela a história de um passado não tão distante dos amazônidas, como também, a maneira pela qual os brasileiros conseguiram burlar a confiança dos portugueses e passaram a agregar e a dominar a Província do Grão Pará.
Pará se Integra ao Brasil
Mesmo ainda sob desconfianças e medo, muitos dos paraenses passaram a acreditar com a nova tomada de posição dos brasileiros, ao proclamarem a sua primeira constituição em 15 de novembro de 1889. Com algumas restrições, os paraenses passaram a aderir os ideais dos brasileiros. Assim como, a Província de São José do Rio Negro.
Dois anos mais tarde, precisamente em 22 de junho de1891, os paraenses se mobilizam em Congresso Constituinte, para organizar em regime livre e democrático a proclamação da sua primeira Constituição;
1º Constituição do Estado do Pará
Nós os Constituinte representes do povo paraense reunidos em Congresso Constituinte para organizar em regime livre e democrático, decretamos e promulgamos a seguinte:
Constituição do Estado do Pará
Da organização do Estado
Disposições Preliminares
Art. 1º. Antiga Província do Grão Pará com o seu território e respectivos limites, fica constituída em Estado, fazendo parte da República dos Estados Unidos do Brasil
Art. 2º.Como Estado exerce todos os poderes indispensáveis à sua autonomia e o governo da União não poderá interferir nos seus negócios internos, fora dos casos previstos no artigo 6º da Constituição Federal, que são:
§ 1° - Para repelir invasão estrangeira ou de outros Estados da União no território do Estado do Pará; . . .
Decretada e Promulgada a 22 de junho de 1891.
Em 23 de julho de 1892 ,a Capitania de São José do Rio Negro, proclamam também, a sua constituição, estabelecendo em seus artigos que:
... as ex-províncias, com o seu Território e respectivos limites, ficam constituídos em Estados, fazendo parte da República dos Estados Unidos do Brasil”; e em seu artigo segundo, ficou estabelecido que: Como Estado exerceram todos os poderes indispensáveis à sua autonomia; e o Governo da União, não poderá intervir nos seus negócios internos, fora dos casos previstos no artigo sexto da Constituição Federal, que são: para repelir invasão estrangeira ou de outro Estado da União no Território do Estado.
Pará se Integra ao Brasil
Mesmo ainda sob desconfianças e medo, muitos dos paraenses passaram a acreditar com a nova tomada de posição dos brasileiros ao proclamarem a sua primeira constituição, em 15 de novembro de 1889.
Com algumas restrições, os paraenses passaram a aderir os ideais dos brasileiros. Assim como, a Província de São José do Rio Negro, que no ano seguinte dos paraenses, também elaboraram a sua primeira Constituição..
Em 23 de julho de 1892 ,a Capitania de São José do Rio Negro, proclamam também, a sua constituição, estabelecendo em seus artigos que:
... as ex-províncias, com o seu Território e respectivos limites, ficam constituídos em Estados, fazendo parte da República dos Estados Unidos do Brasil”; e em seu artigo segundo, ficou estabelecido que: Como Estado exerceram todos os poderes indispensáveis à sua autonomia; e o Governo da União, não poderá intervir nos seus negócios internos, fora dos casos previstos no artigo sexto da Constituição Federal, que são: para repelir invasão estrangeira ou de outro Estado da União no Território do Estado.